Denúncia de despejo de esgoto no Araguaia mobiliza autoridades goianas e mato-grossenses
Uma denúncia de despejo de esgoto no Rio Araguaia, do lado mato-grossense, mobilizou autoridades de Goiás e Mato Grosso. Vereador gravou vídeos; laudo goiano apontou contaminação. Concessionária diz que segue a lei.
Uma denúncia de despejo de esgoto no Rio Araguaia, do lado mato-grossense, mobilizou autoridades de Goiás e Mato Grosso. Vereador gravou vídeos; laudo goiano apontou contaminação. Concessionária diz que segue a lei.
Eu sei como é frustrante ver um rio que deveria ser fonte de vida e lazer virar motivo de preocupação. O Rio Araguaia, um dos maiores do Brasil, está no centro de uma denúncia que mobilizou dois estados: Goiás e Mato Grosso. A história envolve vídeos gravados por um vereador, laudos técnicos e uma concessionária que jura estar dentro da lei. Vamos entender o que realmente está acontecendo e o que mudou desde que a denúncia veio a público.
Autoridades de Goiás e de Mato Grosso se mobilizaram no último mês depois de uma série de denúncias de despejo de esgoto no Rio Araguaia. A prática acontece do lado mato-grossense, na cidade de Barra do Garças, que faz divisa com Aragarças, no território goiano. Os efluentes são lançados pela concessionária de saneamento do município mato-grossense, a Águas de Barra do Garças, que diz que segue todos os parâmetros definidos por lei.
O que motivou a denúncia de despejo de esgoto no Araguaia
Tudo começou quando o vereador Zé Gota (MDB) gravou uma série de vídeos que mostram o derramamento de esgoto no rio. As imagens circularam e a denúncia foi tratada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) apresentou requerimento solicitando informações à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e ao Ministério Público Federal (MPF) sobre as denúncias.
O que diz o laudo da Semad-GO
Do lado goiano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-GO) fez um laudo técnico que apontou contaminação. "A princípio os dados indicam contaminação da água decorrente desses lançamentos que ocorrem na região", disse a Semad. A pasta ressaltou que, do lado goiano, tem sido feita uma campanha de balneabilidade durante a temporada de férias de 2026 para atestar se a água está própria para banho e demais atividades recreativas. Os estudos nesse sentido não indicam se a água é potável. "Vamos monitorar e, a partir desses dados obtidos, vamos divulgar essas informações para toda a população e para as pessoas que vão usar a água", ressaltou a Semad. Por ora, não houve óbice ao uso do rio para fins recreativos do lado goiano.
O papel da titular da Semad-GO, Andréa Vulcanis
Segundo a titular da pasta, Andréa Vulcanis, há um acompanhamento conjunto com a Sema-MT para apurar o lançamento de esgoto. Isso mostra que a investigação não é unilateral: os dois estados estão trocando informações para entender a real dimensão do problema.
A versão da concessionária Águas de Barra do Garças
A Águas de Barra do Garças, responsável pelo sistema de saneamento, não ficou calada. A empresa alegou que coletas realizadas em visitas técnicas em junho, que tiveram participação de representantes da Câmara Municipal, da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agirf) e das Secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente, apontaram que o despejo ficou dentro dos limites estabelecidos pela outorga e pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que trata do tema.
Ao todo, foram coletadas quatro amostras representativas, contemplando o esgoto bruto na entrada da ETE, o efluente tratado no ponto de lançamento e amostras da água do rio antes e depois do ponto de lançamento. Conforme a empresa, indicadores como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), óleos e graxas e sólidos sedimentáveis apresentaram resultados significativamente inferiores aos limites permitidos.
As análises também demonstraram que não houve alterações na qualidade da água do corpo receptor após o lançamento do efluente tratado. A comparação entre as amostras coletadas antes e depois da estação apresentou resultados compatíveis para parâmetros como DBO, coliformes termotolerantes e fósforo, comprovando que o lançamento realizado pela ETE não compromete a qualidade do manancial nem altera a classificação do corpo hídrico.
O que muda com a denúncia de despejo de esgoto no Araguaia
O cenário atual é de contraposição de evidências. De um lado, um laudo oficial da Semad-GO que aponta contaminação. Do outro, uma concessionária que apresenta dados técnicos de que o efluente tratado não altera a qualidade do rio. Enquanto isso, a campanha de balneabilidade segue monitorando a água para uso recreativo, e a população de Aragarças e Barra do Garças continua usando o rio sem restrições oficiais até o momento.
O que me parece claro é que a pressão das denúncias, dos vídeos e da mobilização política forçou uma resposta institucional que antes não existia. Agora, com o MPF, a Sema-MT e a Semad-GO envolvidos, o caso ganhou uma escala que pode levar a mudanças concretas na fiscalização e no tratamento de esgoto na região.
Perguntas Frequentes
A água do Rio Araguaia está própria para banho?
Por ora, não houve óbice ao uso do rio para fins recreativos do lado goiano. A Semad-GO realiza uma campanha de balneabilidade durante a temporada de férias de 2026 para monitorar a qualidade da água.
Quem é o responsável pelo despejo de esgoto?
A concessionária de saneamento de Barra do Garças, a Águas de Barra do Garças, é apontada como a responsável pelo lançamento de efluentes no rio. A empresa afirma que segue todos os parâmetros legais.
O que o laudo da Semad-GO concluiu?
O laudo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás apontou que há contaminação da água decorrente dos lançamentos na região.
Quais órgãos estão investigando a denúncia?
A Sema-MT, o Ministério Público Federal (MPF), a Semad-GO e a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agirf) estão envolvidos na apuração.
A concessionária apresentou alguma defesa?
Sim. A Águas de Barra do Garças apresentou coletas realizadas em junho, com participação de órgãos públicos, que indicam que o despejo está dentro dos limites permitidos pela outorga e pela resolução do Conama.
Glória Sampaio
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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