Tarifaço entra em vigor: Alckmin descarta retaliação imediata, mas cita reciprocidade
O tarifaço dos EUA entrou em vigor afetando 18% das exportações brasileiras. Alckmin descarta retaliação imediata, mas promete usar a Lei da Reciprocidade no momento oportuno. Entenda como isso impacta o seu bolso e o comércio.
O tarifaço dos EUA entrou em vigor afetando 18% das exportações brasileiras. Alckmin descarta retaliação imediata, mas promete usar a Lei da Reciprocidade no momento oportuno. Entenda como isso impacta o seu bolso e o comércio.
O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A medida atinge cerca de 18% das exportações do Brasil, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. O vice-presidente Geraldo Alckmin descartou retaliar imediatamente, mas afirmou que a Lei da Reciprocidade será usada "no momento oportuno".
Alckmin, que estava à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) quando o primeiro tarifaço foi aplicado por Donald Trump em 2025, liderou negociações com o setor produtivo. Hoje afastado por conta da legislação eleitoral, ele defende a continuidade do diálogo mesmo sob a atual rodada de tarifas e a ameaça de novas punições.
Em reunião com representantes de setores afetados, como a Abimaq (máquinas e equipamentos), o governo ponderou que uma retaliação imediata poderia tirar o Brasil da mesa de negociações e prejudicar os canais diplomáticos.
O que muda para o seu bolso?
Para quem importa ou exporta, o impacto é direto: produtos brasileiros ficam mais caros nos EUA, o que pode reduzir a demanda e afetar empregos em setores como máquinas e equipamentos. Por outro lado, o governo brasileiro qualificou as sobretaxas como "injustas e descabidas", já que os EUA registraram superávit na balança comercial com o Brasil recentemente.
Planos de mitigação em andamento
O MDIC e a ApexBrasil estão estruturando planos para diminuir os impactos sobre as empresas brasileiras afetadas pelas taxas. A situação pode sofrer novas alterações com a expectativa de anúncios americanos focados em supostas regras de trabalho forçado, que o governo brasileiro monitora de perto.
A visão dos especialistas
O professor de direito internacional Thiago Romero discorda da avaliação americana. Para ele, o Brasil não tem uma política de importação omissa, mas apenas diferente dos Estados Unidos, a exemplo de várias economias. Romero aponta que exigir que 60 economias adotem o padrão regulatório americano sob ameaça de tarifa é uma forma de "exportar a própria legislação".
O que esperar daqui para frente?
Além das tarifas atuais, o governo Trump ameaça uma nova sobretaxa de 12,5%, alegando que o Brasil não impede importação de produtos com trabalho forçado. O governo brasileiro monitora a situação para avaliar o nível de impacto sobre os produtos nacionais.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA?
São tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, que entraram em vigor em 22 de janeiro, afetando 18% das exportações do Brasil.
O Brasil vai retaliar?
Não imediatamente. Alckmin descartou retaliação imediata, mas prometeu usar a Lei da Reciprocidade no momento oportuno.
Quais setores são mais afetados?
Setores como máquinas e equipamentos (representados pela Abimaq) estão entre os mais impactados.
O que o governo está fazendo?
O MDIC e a ApexBrasil estruturam planos para mitigar impactos, enquanto o governo monitora novas ameaças de tarifas dos EUA.
Por que os EUA impuseram as tarifas?
O governo Trump alega supostas práticas desleais do Brasil no comércio internacional, incluindo questões de trabalho forçado, o que especialistas como Thiago Romero contestam.
Débora Quintas
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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