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Rede elétrica resiliente exige investimento das concessionárias

ResumoRede elétrica resiliente no Rio de Janeiro exige investimento contínuo das concessionárias em fiação subterrânea e manutenção preventiva. Ventos fortes expõem fragilidades do sistema aéreo, que demanda modernização estrutural. Soluções como enterramento de cabos e poda de árvores reduzem interrupções, mas apresentam custo elevado. Especialistas recomendam priorizar áreas críticas e planejamento de longo prazo para garantir estabilidade do fornecimento.

Após ventos fortes no Rio, especialistas apontam que rede elétrica resiliente exige investimento das concessionárias. Fiação subterrânea e manutenção são as saídas, mas custam caro.

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Nina Vega
· · 6 min de leitura
Rede elétrica resiliente exige investimento das concessionárias
Foto: Imagem ilustrativa · Floguxo

Após ventos fortes no Rio, especialistas apontam que rede elétrica resiliente exige investimento das concessionárias. Fiação subterrânea e manutenção são as saídas, mas custam caro.

Achei um vestido de seda pura num brechó em Santa Teresa, semana passada, por um terço do preço de uma peça nova. A etiqueta contava uma história de outra época, e a costura, impecável, prometia mais uma década de uso. Foi esse mesmo bairro, Santa Teresa, que amanheceu sem luz depois dos ventos fortes de quarta-feira (29), com moradores como o designer Rico Vilarouca esperando o retorno da energia e da internet, situação que se repete sempre que chove forte e venta. A cena me fez pensar: se uma roupa bem cuidada dura gerações, por que a infraestrutura que nos serve todos os dias parece tão frágil?

Tornar a rede elétrica mais resiliente a fortes ventos como os que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro nessa quarta-feira (29) é possível, mas tem um custo bastante elevado e que precisa ser arcado pelas concessionárias de energia. A avaliação é do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

O que torna a rede elétrica vulnerável a ventos fortes

Fiação subterrânea e poda das árvores na época certa estão entre as medidas necessárias para que o fornecimento de energia seja menos vulnerável. Watanabe, que mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, continuava sem energia até a tarde desta quinta-feira (30). Em sua rua, a rede elétrica é aérea, sustentada por postes, o que a deixa mais vulnerável a quedas de árvores e intempéries.

"Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco", aponta o professor da Coppe/UFRJ.

Quem recebe energia por linha aérea tem mais problemas, resume ele. Já quem tem instalações subterrâneas, como os bairros mais nobres do Rio e o centro da cidade, enfrenta menos contratempos, avalia.

Por que a fiação subterrânea é tão cara

O professor do programa de pós-graduação em engenharia elétrica estima que o custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, com a vantagem de ter maior qualidade. E a responsabilidade por esses custos é das concessionárias de energia, afirma ele.

"Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior".

Além da instalação, a manutenção também é mais custosa. E, para o consumidor, isso se traduz em mais tempo sem luz, comida estragando e trabalho parado. A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, na Zona Norte da capital fluminense, está sem luz desde as 17h de quarta-feira (29). Ela já abriu vários protocolos na Light e a resposta é que os técnicos estão trabalhando no local, sem previsão de retorno.

"Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo [a validade] e não tem nenhuma previsão. É um transtorno muito grande ficar sem energia".

Nem toda rede precisa ser subterrânea, diz especialista

Na avaliação de Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, o risco de falta de energia, por si só, não é motivo para substituir toda a rede aérea por subterrânea.

"É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz".

Torres destaca que fazer uma estrutura subterrânea requer um investimento elevado que pode ser, inclusive, economicamente inviável. Além disso, ele avalia que os cabos subterrâneos, apesar de terem proteção contra o vento, constituem problema no caso de inundações e furtos.

Plano de contingência: o que as empresas precisam fazer

Segundo Leandro Torres, o que ocorreu no Rio foi um evento de emergência, para o qual as instituições precisam estar preparadas com planos de contingência, que evidenciem tudo que possa afetar suas operações e serviços de alguma maneira.

"Ou seja, fazer uma listagem dessas ameaças. Isso abrange eventos de diferentes naturezas, como vendaval, inundação, ataque cibernético, que podem afetar a operação de uma organização qualquer".

O segundo passo desse plano é entender quais são as eventuais causas que poderiam dar origem a essas ameaças, ou seja, os pontos fracos na operação. Uma análise de risco prioriza os pontos que demandam mais atenção. Em seguida, busca-se medidas que possam evitar, dentro do possível, essas falhas, ou reduzir muito a probabilidade de elas acontecerem.

Torres deixou claro que instituições de diferentes naturezas, desde uma escola até empresas de telecomunicações e concessionárias de energia elétrica, precisam se organizar para fazer frente a esse tipo de cenário climático. Para ele, as concessionárias devem direcionar atenção para um possível aumento drástico de eventos relacionados ao clima, principalmente este ano, com a previsão de um El Niño especialmente forte.

"Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?"

O especialista insistiu que a empresa não pode esperar que aconteça um evento negativo para agir. Isso demanda recursos previamente alocados e pessoal treinado para os procedimentos emergenciais, além de uma estrutura de planejamento de comunicação interno e externo com clientes, inclusive para a preservação dos serviços que eles estão recebendo.

O que isso significa para você

A Light e a Enel, concessionárias que atuam no Rio de Janeiro, na região metropolitana e no interior do estado, têm divulgado desde o vendaval que estão com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento de energia. Apesar disso, milhares de residências e estabelecimentos de diversos tipos continuavam sem energia nesta quinta-feira (30).

Os ventos fortes que assolaram o estado deixaram uma coisa clara para a família de Rico Vilarouca: "A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade", lamentou.

Enquanto a infraestrutura não muda, vale agir como quem garimpa: antecipar o problema. Ter um plano de contingência doméstico, com velas, lanterna e comida não perecível, custa menos que uma peça de brechó e pode evitar o desespero de uma geladeira descongelando. como pedir ressarcimento por prejuízos com falta de energia

Perguntas Frequentes

Quem é responsável por investir na resiliência da rede elétrica?

As concessionárias de energia são as responsáveis por arcar com os custos de tornar a rede mais resiliente, segundo o professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ.

Fiação subterrânea é sempre a melhor solução?

Não. Para o especialista Leandro Torres, a substituição completa da rede aérea por subterrânea é uma decisão estética e urbanística, que pode ser economicamente inviável e traz problemas em caso de inundações e furtos.

O que é um plano de contingência?

É uma listagem de ameaças que podem afetar as operações de uma organização, como vendaval, inundação e ataque cibernético, seguida da análise de causas e medidas para evitar ou reduzir falhas.

O que fazer quando falta energia por muito tempo?

Moradores podem abrir protocolos na concessionária, como fez Ana Paula Brito na Light. Também é possível pedir ressarcimento por prejuízos com a falta de energia. como pedir ressarcimento por prejuízos com a falta de energia

Por que alguns bairros ficam mais tempo sem luz?

Bairros com rede aérea, sustentada por postes, são mais vulneráveis a quedas de árvores e intempéries. Já áreas com fiação subterrânea, como centros e bairros nobres, enfrentam menos contratempos, avalia Watanabe.

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